
IMAGENS E
CURIOSIDADES

NOTAS DA PRODUÇÃO
O diretor
Robert Harmon – cuja precisão ao montar inúmeras cenas de ação
transformou o thriller “A Morte Pede Carona” num clássico –, deu
a “Velozes e Mortais” alma e conteúdo, num retorno ao estilo de
filmar dos anos 60. Trata-se de um filme de gato-e-rato que tem
como pano de fundo a vastidão e os silêncios das estradas
norte-americanas, temperado com poucos diálogos. “Foi preciso
criar grandes contrastes: o mundo real, o ronco dos motores dos
carros em oposição ao silêncio natural, o vento nas plantações
de milho, grilos e o som dos pássaros”, descreve Robert Harmon.
Jim Caviezel tinha acabado de completar sua 140ª volta de
treinamento na pista do circuito de Indianápolis quando Robert
Harmon lhe falou sobre o projeto. “Trata-se de mais do que
carros", diz Caviezel, que também estrela o polêmico filme de
Mel Gibson “A Paixão de Cristo”. Ele prossegue: “O filme aborda
a ética; ele explora a imperfeição do homem e a possibilidade de
redenção".
Estudioso da ética e proprietário de um Lamborghini, Caviezel
traz com ele não apenas a compreensão de seu atormentado
personagem, Rennie Cray, como também um profundo respeito pelos
carros e as habilidades dos pilotos para atuar com segurança em
altas velocidades.
Rennie Cray é o herói clássico em busca de vingança, como os
pistoleiros dos faroestes. Ele quer fazer justiça pelas próprias
mãos e dedicou cinco anos de sua vida à procura pelo assassino
da esposa. Para ele, está muito claro o que deve fazer.
A voz inconfundível e atemorizante do assassino Fargo é de Colm
Feore, seja no carro intimidando Rennie ou dando ordens a Molly.
Fargo gosta de manipular a psiquê de Rennie; ele é inteligente e
articulado, o que o torna especialmente assustador. O amigável
ator Colm Feore descreve Fargo como “a representação do lado
sombrio da natureza humana”. Ele continua: “Ele cria sua própria
realidade e acha que o que faz é justificável. Fargo é mau, um
homem que continua a perseguir e matar vítimas com uma
satisfação assustadora. Fargo e Rennie possuem uma relação
perversa de respeito e ódio, pois ambos sabem o preço de viver
sob o fio da espada".
O ciclo de dor e a jornada de cura estão personificados por
Molly Poole, interpretada por Rhona Mitra (que integra o elenco
da aclamada série da ABC “The Practice”). "Molly passou por uma
tragédia horrível ao perder a família num acidente de carro e
desenvolveu fobias que terá de lutar para superar”, explica
Rhona Mitra.
E a atriz acrescenta: “Mas Molly também faz Rennie se lembrar de
quem foi um dia”. Quando ela é ferida, ele a ajuda totalmente de
improviso. “Rennie era médico”, revela Rhona.
Ao sobreviver ao ataque mortal de Fargo no túnel, Molly se torna
uma peça de um jogo perigoso entre Rennie e Fargo. Inicialmente,
ela se esconde e é encontrada pelo investigador Will Macklin,
papel que coube a Frankie Faison. Mais conhecido como o
personagem Barney dos filmes “Hannibal”, “O Silêncio dos
Inocentes” e “Dragão Vermelho”, Faison já interpretou diversos
policiais no decorrer da carreira. Bem-humorado, sugere que
deveria receber uma pensão da Polícia quando se aposentar.
“Depois de assistir a este filme, ninguém vai passar por um
acidente de trânsito sem achar que se trata de mais do que
simplesmente carros”, instiga Faison.
Segundo o ator, Macklin representa o equilíbrio entre o bem e
mal, um lembrete para Rennie de que ultrapassar essa linha para
se vingar tem um alto preço. "Este filme mostra claramente a
oposição entre bem e mal. Alguns personagens ultrapassam o
limite, dando chance ao mal, porém o bem sempre prevalece",
analisa.
O diretor de fotografia da unidade principal Rene Ohashi, o
diretor da unidade de ação Andy Armstrong e o diretor de
fotografia da unidade de ação João Fernandes criaram um mundo de
paisagens amplas e hiper-realistas. A dicotomia homem/ máquina é
explorada numa história simples com um estilo de filmar que
força o público a acompanhar os personagens e os carros com
fascínio mórbido.
As equipes das unidades de filmagem atuaram em conjunto num
cronograma apertado, empregando carros, arneses, hidráulica,
explosivos, atores, dublês, além de cenários feitos sob medida,
para criar um caos controlado e cenas de perseguição com carros
arrebatadores.
Cada membro do elenco possuía um equivalente mecânico: Rennie
tinha o Plymouth Barracuda 1968 laranja, Fargo tinha o Cadillac
Eldorado 1972 verde, Alex um Mazda, Boone um Saab e Macklin um
sedã. "Os carros, sem dúvida, possuíam personalidade própria”,
afirma Rhona Mitra. E completa: “O Eldorado é um predador, é
ameaçador, à espera de Molly, intimidando-a no pátio do The
Towers Motel".
“Nosso elenco fez suas próprias cenas perigosas, criando algumas
das mais realistas cenas de perseguição e batidas, algumas delas
nunca antes vistas", comenta o produtor executivo Tim Van Rellim.
"Felizmente, Jim Caviezel é um grande fã de corridas de carro.
Rhona foi ótima, ficou empolgada em fazer suas próprias cenas de
ação. Colm e Frankie também foram muito profissionais", elogia.
Frankie Faison observa: "O Jim parece um caubói. A primeira vez
em que entrei num carro com ele, ele acelerou a 160 quilômetros
por hora. Ele é muito bom com carros em alta velocidade e fica
muito à vontade acelerando e dando freadas rápidas".
A fim de assegurar que as filmagens decorressem da melhor forma
tanto na unidade principal quanto na de ação, foram necessárias
múltiplas versões dos carros: seis Barracudas (três para o herói
e três para dublês), cinco Eldorados (um para o protagonista e
quatro para dublês), três Saabs, um Mazda e um sedã tiveram de
ser usados como “elenco mecânico”.
Este “elenco de carros” precisou de um grupo especial de
técnicos de corrida que garantiram os mais altos padrões de
segurança: assentos especiais, motores e freios. Eles usaram
apenas componentes usados e vintage para os Barracudas e os
Eldorados, garantindo a autenticidade. Em cada carro, a
transmissão automática foi substituída pela manual e os tanques
de gás foram removidos. Os carros para as cenas perigosas foram
equipados com gaiolas especiais, células de combustível
(pequenos contêineres de plástico para uma pequena e específica
quantidade de gás) e poderosos sistemas de suspensão de alta
performance. As baterias foram colocadas na mala.
Os Barracudas receberam cintos especiais de cinco pontas (usados
em corridas de carro); os freios foram substituídos por freios
line-lock; câmbio de marchas Hurst e rádios CB 6-7 foram
inseridos no carro do herói.
O Eldorado recebeu o mesmo cuidado especial e as mesmas peças,
inclusive um volante especialmente desenhado para Fargo, partes
hidráulicas especiais e rádios CB.
O desenhista de produção Paul Austerberry e o diretor de arte
Nigel Churcher criaram cenários que refletiam a visão que o
diretor Robert Harmon tinha do filme. Maquetes de cada cenário
foram construídas no intuito de permitir ao diretor planejar e
executar as intrincadas perseguições de carro.
Harmon e o diretor de fotografia da unidade principal Rene
Ohashi pré-visualizavam as ousadas cenas de perseguição e
batidas do filme usando dois minicarros como guias.
Um túnel com dimensões grandes demais para um estúdio foi
construído na área de uma estrada de ferro. Foi preciso que uma
equipe de 80 operários trabalhasse durante oito semanas para
criar quatro pistas de estrada asfaltada, um muro divisório,
calçadas e 18 colunas, inserindo 12 mil toneladas de concreto em
moldes de compensado. A construção e o design tinham de
respeitar não só a forma, como também a necessidade de
segurança. Colunas de aço foram usadas para absorver o impacto
dos carros, trailers e ônibus durante a cena do acidente, e as
calçadas foram projetadas para funcionar como pára-choque entre
a estrada e os muros.
O The Towers Motel e uma loja de frutas e verduras foram
construídos à beira da estrada, em meio a uma plantação de
milho, para evocar uma remota estrada rural do Meio-Oeste. O
hotel de beira de estrada tinha 10 quartos, árvores e
sinalização, e parecia tão real que a companhia telefônica
entregou listas, e um funcionário apareceu para verificar a água
e o gás. Verde e rosa foram as cores escolhidas para contrastar
com o milharal ao redor e com a imensidão do céu.
Após a cena do flash-back, na qual Olivia, mulher de Rennie, é
assassinada, o hotel foi envelhecido pelo departamento de arte –
foram substituídas portas, janelas e outras peças por outras
quebradas, descascadas, enferrujadas e desbotadas, para dar a
sensação de passagem de tempo.
As cenas no cemitério de carros foram filmadas numa das maiores
fábricas de reciclagem da América do Norte. Além das carcaças de
carros já existentes no local, o departamento de arte
acrescentou outras 400, formando um corredor de 90 metros,
necessário para as cenas de perseguição com Fargo, Rennie e
Macklin.
Quatro velhas bombas de gasolina foram colocadas numa base de
concreto e uma cobertura de metal foi acrescentada para fazer
sombra e cobrir o abrigo de madeira construído para funcionar
como o posto de gasolina e reparos de Fargo. O que exigiu mais
cuidado e sensibilidade, no entanto, foi a criação de uma área
ribeirinha, próxima a um santuário de pássaros, na qual foram
utilizados somente materiais inofensivos ao ambiente.
“Filmar com atores, carros e câmeras em movimento foi uma das
nossas maiores dificuldades”, conta o diretor de fotografia da
segunda unidade João Fernandes. “Todos os elementos estavam em
movimento, tornando a filmagem de diferentes ângulos um
verdadeiro desafio”, completa.
Depois de sete dias de desenhos e estudo de ângulos, foi
esvaziada a pista do aeroporto, foram levadas ambulâncias para o
local e todas as medidas de precaução foram tomadas para a
filmagem da cena de ação mais espetacular do filme. O Eldorado
bate no Saab, lançando-o para cima e fazendo-o girar no ar –cena
que nunca tinha sido feita antes. Esta cena era uma questão de
tudo ou nada, e requereu cinco câmeras com diferentes tipos de
lentes para garantir a captação de imagens, além de um nível
máximo de iluminação, com 140 mil watts, para compensar a alta
velocidade e a distância.
Com câmeras filmando por entre carros em movimento e em chamas,
a produção captou a ação utilizando vários recursos como MotoCam
e Race Cam.
A produção de “Velozes e Mortais” demandou planejamento e
execução igualmente cuidadosos para outras cenas arriscadas,
como o acidente de Molly no túnel e a colisão de Fargo com um
ônibus.
Fonte: PlayArte